Como deve ser a formação dos profissionais da educação no Brasil?

formação dos profissionais

Presidenta da Anfope, Helena de Freitas ressalta que efetivação da Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação exigirá intenso planejamento de gestores

Devendo ser aprovada até o próximo dia 24 de junho, a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação é uma das regulamentações previstas na meta 15 do Plano Nacional de Educação (PNE – Lei 13.005/14), sancionado pela presidenta Dilma Rousseff.

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Para a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidenta da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope), Helena de Freitas, a política nacional vai exigir intenso planejamento dos gestores: “a partir dela, vai ser necessário se pensar quais professores deverão passar por formação inicial ou continuada, qual o caráter desta formação e quais serão as responsabilidades da escola e do poder público”.

A presidenta da Anfope defendeu que deve haver em âmbito nacional uma coordenação composta por “gestores educacionais, representantes do Ministério da Educação (MEC) e de entidades que possam avaliar de maneira contínua esta política”. O Brasil, segundo Helena, enfrentará grande desafio já que 78% dos docentes têm sido formados por instituições de ensino superior privado. “Esta grande quantidade de profissionais passa, em sua maioria, não por universidades, mas sim por institutos e faculdades isoladas que, em muitas vezes, não garantem atividades de pesquisa e de extensão”, alertou.

Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, é necessário estabelecer uma discussão ampla sobre a qualidade da formação oferecida aos profissionais da educação. “A formação inicial do professor não deve ter uma lógica reducionista em que a escola seja um lugar para o treinamento de pessoas. A formação deve ter qualidade e ser libertadora tanto para o docente quanto para os demais funcionários”.

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Neste sentido, Leão defendeu o fortalecimento de programas de formação do governo federal como o realizado a partir do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e do Profuncionário. “O Profuncionário precisa ser ampliado no sentido de valorizar os profissionais da educação que não são docentes, mas que têm papel muito importante na formação dos alunos e que precisam ser preparados”, exemplificou o presidente da CNTE

Com o objetivo de garantir tanto o acesso quanto a qualidade na formação, Helena reforçou a importância do papel tanto da União quanto dos estados. “A União e quase todos os estados possuem universidades para contribuir com a formação de professores em todo o país”, afirmou. “Além do apoio do MEC para a definição desta política, vai ser necessário recolher as contribuições presentes nos Planos Municipais e Estaduais de Educação quanto à formação”, afiançou.

Para isso, a professora sugeriu que seja feito um trabalho conjunto do Ministério com os Fóruns Estaduais de Educação. Estes Fóruns reúnem representantes de professores, estudantes, conselhos, dirigentes municipais e secretários estaduais de educação. “É fundamental que haja, também, o esforço do Fórum Nacional de Educação para poder construir essa política, além da articulação com atividades como as relacionadas à construção dos Planos Municipais e as promovidas por entidades como a Uncme [União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação], por meio de suas Cirandas pela Educação”, exemplificou Helena.

Piso salarial

O PNE também estabeleceu para este ano, por meio de sua estratégia 17.1, a necessidade de se constituir um fórum permanente para o acompanhamento da atualização do valor do piso salarial nacional para os profissionais do magistério. “O papel deste colegiado deve ser acompanhar a plena execução do piso salarial para além do pagamento, mas também observando a garantia da jornada de trabalho adequada”, explicou o presidente da CNTE.

Para a Confederação, segundo Leão, o cumprimento da Lei do Piso está relacionado à melhor formação dos docentes e à forma como se dará sua carreira. “Da mesma forma que, pela mobilização, conseguimos aprovar o PNE, nossa grande luta é fazer com que o piso seja uma realidade no Brasil inteiro”, complementou.

 

Foto 1: App Sindicato / Divulgação

Foto 2: Helena de Freitas / Divulgação

Foto 3: Roberto Leão / Site Educação Eu Apoio

Reportagem – Gabriel Maia Salgado
Edição – Ananda Grinkraut

 

 

 

 

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